31/12/08
Os jovens e a sua relação com as drogas
Foi realizada, recentemente, uma pesquisa pela Retrato Consultoria e Marketing para a Revista O Globo, tendo como tema “ O consumo de drogas na noite carioca”, a respeito do uso de algumas drogas ilícitas mais consumidas nos últimos 06 meses. Foram entrevistados 857 jovens na faixa etária de 15 a 40 anos, nos lugares mais freqüentados por esse universo de pessoas, como festas, shows, restaurantes, postos de gasolina (lojas de conveniência) e bares.
Devo dizer que apenas vou aludir, en passant, a 02 das 15 substâncias listadas na referida pesquisa, por serem as que mais têm causado preocupação.
Pois bem, o resultado final mostra que 35% usam drogas, que o ecstasy já passou a cocaína, e que 61% já exageraram na dose. A razão para isso é justificada pelo italiano Giovanni Quaglia, representante regional da Agência da ONU para Drogas e Crime (UNODC) para o Brasil e o Cone Sul, ao afirmar que: “ Hoje, no mundo todo, o uso de drogas sintéticas já é superior ao consumo de cocaína e heroína juntos…uma vez que as drogas sintéticas são relativamente fáceis de se produzir, não dependem de plantas e podem ser feitas em qualquer lugar”.
Apenas, para ilustrar o malefício dos efeitos dessas drogas e o motivo da sua grande demanda, a neurologista Suzana Herculano-Houzel, professora da UFRJ e autora de vários livros sobre o funcionamento do cérebro, quando questionada sobre o assunto esclareceu: “ todas as drogas ativam no cérebro o mecanismo de recompensa e ativam os níveis de dopamina e serotonina. Mas quando esses mecanismos perdem a sensibilidade devido ao uso excessivo, cria-se o vício. É como se fosse prazer demais para o cérebro conseguir produzir sozinho”.
Mas não é só.
Entre os usuários ouvidos, 95% disseram consumir bebidas alcoólicas, como cerveja em primeiro lugar, seguida por ice e uísque, revelando-se que 85% dos entrevistados já combinaram drogas ilícitas, álcool e direção.
É evidente que o quadro chega a ser assustador, e mais ainda quando tomamos conhecimento de que não se trata, tão somente, de um problema restrito a um simples e único país, mas sim de proporção mundial.
Não bastasse tudo isso, ainda ouvimos falar em descriminação, tese sempre superficialmente defendida por alguns, o que devo confessar não me parecer a alternativa mais adequada a ser seguida, pois como se sabe, tal solução, visaria a proporcionar ao Estado substituir os cartéis do tráfico, exercendo um maior controle.
Todavia, como já bem salientou o Desembargador Menna Barreto, no seu livro “Lei de Tóxicos- comentários por artigos“- 5ª edição, Ed. Freitas Bastos, pgs.13/15, nº 08, “ seria impossível o controle de distribuição de drogas aos dependentes, por parte do Governo, uma vez que não há cadastro para identificá-los. Assim, não haveria como estabelecer a dosagem para cada caso ou a fixação arbitrária da idade e quem teria direito à doação. Afinal, seria a repetição do fracassado sistema inglês, que levou os dependentes de heroína a vender, no câmbio-negro, o que recebia oficialmente, a fim de lograr aumentar o poder aquisitivo para doses maiores. Se a opção for a do livre acesso aos tóxicos, quem estaria encarregado da venda? As farmácias e drogarias, ou passaria a ser controlada pelas multinacionais, em detrimento da saúde da juventude ?”
A propósito, o tema será debatido no mês de março de 2009, em Viena, na Áustria, em reunião do Conselho Ministerial da ONU para o fim de revisar os dez anos de uma utópica sociedade “livre de drogas”, por muitos considerarem um fracasso sem precedentes, já que na maior parte dos lugares verificaram que o consumo e a produção aumentaram.
Desta forma, urge que se faça uma política imediata de prevenção contra as drogas através da educação, a se iniciar nas escolas públicas e privadas do ensino fundamental de todo o país, através de um programa metodológico sério, ministrado por um corpo docente capacitado, que seria treinado por grupos de especialistas na área, ao contrário de mera distribuição de cartilhas sem um mínimo de conteúdo educativo.
Contudo, para que se possa fazer algo e ao menos minimizar tal realidade, resta-nos recorrer novamente àqueles que detêm cargos eletivos e aos nossos gestores públicos para que tenham a percepção e a vontade política para reverter essa grave situação com que se defrontam os nossos jovens.
E como estamos às portas do Ano de 2009, aproveito para lembrar o saudoso poeta Mário Quintana sobre o Ano Novo:
“O Ano Novo ainda não tem pecado: É tão criança… Vamos embalá-lo… Vamos todos cantar juntos a seu berço de mãos dadas, a canção da eterna esperança.”

criado por André Menna Barreto
16:45 — Arquivado em: 








