3/6/08

Congresso Nacional. Esperança ou Desesperança

Um dia desses estudando com a minha filha e preparando-a para as “baterias” de provas em que enfrentaria na sua escola, me deparei com algumas questões, as quais, inevitavelmente, me fizeram entrar no campo das comparações e dos porquês.
Estudáva-mos sobre a História do Brasil, século XVI, início da colonização, na cidade que hoje se chama Rio de Janeiro, lugar que naquele tempo se travavam lutas entre portugueses e franceses, em disputa pelo pau-brasil. Utilizavam-se do trabalho dos índios para a extração e o carregamento daquela madeira, em troca de alguns objetos, tais como roupas, chapéus, ferramentas, etc. Trocas essas que se denominavam de escambo.
Sabemos que essa prática de mercado era natural e espontânea, pois era dessa forma que se realizava o comércio entre pessoas, seja através de uma prestação e recebimento de serviços ou coisas, ou seja, trocando-se diretamente as mercadorias, sem interveniência da moeda.
Ora, séculos se passaram desde então, mas algo ainda se verifica inalterado. Apesar de termos presenciado as inúmeras alterações na nomenclatura da nossa moeda, e deixando à parte a avaliação que poderíamos fazer sobre tais mudanças, a moeda corrente veio como denominador comum de valores, de meio geral de trocas, e de reserva de valor.
Porém, é de se salientar que algumas pessoas ou melhor dizendo, algumas classes presentes e dominantes em nossa sociedade, ainda não atentaram para esse grande detalhe. Refiro-me, e especialmente, pois aqui não posso me esquivar de citar, os nossos sempre questionáveis políticos do todo poderoso Congresso Nacional.
O que se observa ou não se observa, nada mais é do que o desprezo e a banalidade como são tratadas as questões sociais do nosso país, aquelas das quais muitas vezes foram “abraçadas” e conduzidas por eles à frente de campanhas eleitorais em inúmeros palanques por esse Brasil a fora.
É inaceitável a naturalidade com que se usa a máquina pública, para oferecimentos de cargos ministeriais em troca de votos para aprovação de medidas provisórias que acabam se tornando permanentes, projetos de leis, distribuições de milhões de reais para emendas individuais de parlamentares, etc., ou seja, a forma do “toma lá da cá”, noticiada todos os dias na mídia em geral. São políticos e governantes usufruindo do poder num imenso balcão de negócios, onde os favorecimentos pessoais se sobrepõem à miséria dos cada vez mais miseráveis.
Volta a se praticar o comércio de trocas, mas desta vez num mercado específico, trocas de favores e interesses particulares numa “Casa” política onde se deve, na verdade, os que lá estão, formular regras respeitantes à direção dos negócios públicos, com trocas de idéias que visem sempre o desenvolvimento social e econômico do país.
Não pretendo ser cansativo com tudo isso, pois sei que todos já conhecem esse filme, por nunca ter saído de cartaz. A questão é, justamente, o porquê de aceitarmos essa situação se temos todo esse conhecimento. Talvez um dia tenhamos a resposta.
Dizem que a esperança é a última que morre.
Acreditemos.

criado por André Menna Barreto    0:13 — Arquivado em: Sem categoria

2 Comentários »

  1. ANDRÉ;
    Permita-me discordar. O nosso Congresso não é diferente dos outros. O que ocorreu aqui nesta crise foi uma quadrilha politica montada no executivo no próprio palácio do planalto, gerando uma corrupção institucional alugando mandatos em bloco. Desfocar o executivo e apenas focar o legisalativo, me parece um êrro.

    CM

    Comentário por Cesar Maia — 20 20UTC junho 20UTC 2008 @ 0:39

  2. Essa questao levanta a discucao do voto distrital , do financiamento publico dos partidos e da contribuicao de PF pela internet. Parece-me que se nao discutirmos essas questoes de forma pragmatica e realista , nao acharemos um saida .

    Comentário por Marcos Barreto — 24 24UTC junho 24UTC 2008 @ 22:52

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