11/6/08

Falso moralismo. De quem ?

Durante solenidade de assinatura de ordens de serviço para obras do PAC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta a reclamar das restrições da legislação eleitoral no período de campanha, que impede o Executivo de assinar novos contratos entre julho e outubro.
Afirma ele que há um “falso moralismo” nessa regra e atribui a proibição ao “lado podre da hipocrisia brasileira”.
Como muito bem rebateu o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Carlos Ayres Britto, “não há falso moralismo na lei 9.504, especialmente no artigo 73, elaborado cuidadosamente com o propósito de coibir condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais“.
A pergunta que deve ser feita é por que justamente em um ano de eleições municipais o Presidente da República toma a decisão de “correr” o país a pretexto de visitar algumas obras do PAC e privilegia aliados na liberação de verbas que têm como destino a realização dessas mesmas obras. É muita pretensão imaginar que não saberíamos que, por trás de tudo isso, o verdadeiro motivo recai em torno da agregação de forças no quadro político, especialmente nas  eleições majoritárias, com vistas à 2010. 
É lamentável e até inadmissível a falta de habilidade com que demonstra um chefe de Estado ao abordar tal tema. Ainda mais quando se sabe que as leis não só devem ser respeitadas pelos seus governantes como garantidas por eles.
Lula perdeu, mais uma vez, a oportunidade de ficar com a boca fechada.

criado por André Menna Barreto    18:59 — Arquivado em: Sem categoria

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