20/8/08

A grande crise no Leste Europeu

O conflito cada vez mais grave surgido no Leste Europeu, entre Rússia e Geórgia, já provocou inúmeras mortes entre civis inocentes.
Trata-se de uma guerra surgida, inicialmente, por um simples e justo desejo do povo da Ossétia do Sul e da Abcásia de se tornar independente, para o que resolveram formar uma região autônoma da República da Geórgia até 1990. Inconformados com tal atitude, líderes da Geórgia, em 1991, decidiram usar de força atacando a capital sul-osseta
O mais grave, a meu ver, é o que poderá vir a suceder se mantido o confronto por muito tempo naquelas regiões, especialmente por se tratar de conflito de cunho estratégico bem como emocional para ambos os lados.
Não se pretende aqui adiantar nenhum parecer sobre as razões ou motivos que venham a justificar tal situação criada pelos dois países. No entanto, faz-se necessário tomar conhecimento de algumas questões levantadas a despeito do posicionamento das províncias separatistas.
Para a Rússia, a intervenção tem como fundamento, como lembrou o último presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, prêmio Nobel da Paz em 1990,em artigo escrito para o Washington Post, o fato de “a Rússia estar enraizada ali por geografia e séculos de História comuns. A Rússia não busca expansão territorial, mas legitimar seus interesses na região…” E mais, “ …A Geórgia só montou o ataque porque sentia que receberia apoio de uma força muito mais poderosa. Suas Forças Armadas foram treinadas por instrutores dos E.U.A. e seu sofisticado equipamento militar foi comprado de um determinado número de países. Isso, unido à promessa de adesão à Otan…”.
Já a Geórgia, por sua vez, rebate dizendo que as duas regiões são simplesmente parte de seu território, uma vez que não lhes reconhece a independência, estando garantido pela lei internacional o domínio sobre as províncias em questão, e, portanto, sendo legítima a sua recuperação a qualquer preço.
Contudo, sabemos tratar-se de assunto mais complexo do que simplesmente foi exposto por ambos os litigantes. E é justamente por isso que o problema requer uma devida e permanente atenção mundial.
Acredita-se que um dos grandes pivôs desse conflito seja o petróleo, produto que disparou seu preço do barril, superando os US$ 147 em meados de junho e julho do corrente ano, devido ao aumento da demanda principalmente de países emergentes, como a China e Índia, além da política de cotas da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Apesar de, atualmente, ter havido um pequeno recuo na sua cotação, ainda assim, os preços se mantêm na faixa dos 13%, portanto, mais alto este ano e cinco vezes maior do que custavam em 2002, o que vem causando uma grande preocupação em todo o mundo.
Torna-se necessário esclarecer que, em virtude dessa guerra, a gigante britânica do petróleo BP resolveu suspender o fornecimento de petróleo pelos dutos que passam em território da Geórgia, e que por esse oleoduto passa diariamente o equivalente a um milhão de barris de petróleo.
Mas, não é só.
Sem o funcionamento de tais dutos, todo o petróleo proveniente da Ásia Central que se dirige à Europa passa obrigatoriamente pela Rússia. Registre-se que, na última década, a Rússia apresentou um crescimento econômico de aproximadamente 7% ao ano, tornando-se uma importante potência energética.
Sabe-se, igualmente, que existe um gasoduto proveniente da Rússia, que se localiza ao lado dos dutos de petróleo, assim como, que cerca de um quarto do gás consumido pela Europa vem daquele país.
Portanto, não é preciso muito esforço para reconhecer as verdadeiras razões da ofensiva russa sobre a Geórgia, assim como dos laços de amizade entre americanos e georgianos.
A verdade é que esforços estão sendo feitos para apaziguar ou ao menos minimizar tais questões. A França na presidência da União Européia, através do seu presidente Sarkozy, vem tentando, diplomaticamente, estabelecer um equilíbrio geopolítico naquela região.
É uma situação que vai requerer um esforço conjunto de todos os envolvidos e interessados, principalmente, dos E.U.A., pois intimidações como o de fazer futuros acordos com um país vizinho da Rússia, no caso a Polônia, no intuito de criar um sistema americano de defesa antimísseis naquele país, poderá suscitar reações imprevisíveis, com repercussões preocupantes na comunidade internacional.

criado por André Menna Barreto    0:54 — Arquivado em: Sem categoria

7/8/08

O aumento do desinteresse do jovem pela política

Tomei conhecimento recentemente de uma matéria publicada na revista “MegaZine”, distribuída por um jornal de destaque nacional, que tratava sobre um assunto no mínimo alarmante.
Dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral do RJ (TRE/RJ) mostram que, mesmo sendo facultativo o alistamento eleitoral para os jovens na faixa etária de 16 e 17 anos, o número de eleitores diminuiu de 42,9 mil, em 2004, para 27,4 mil, este ano. Portanto, uma queda de aproximadamente 35%, sendo a pior média brasileira já registrada.
O problema se torna mais preocupante na medida em que não se restringe meramente a um fator regional, mas sim de proporção nacional, uma vez que “há quatro anos atrás, havia no país 3,6 milhões de eleitores de 16 e 17 anos. Em 2008, o número chegou a 2,9 milhões, uma redução de 19%.”
Na referida matéria publicada, alguns jovens quando questionados sobre o assunto, alegaram que esqueceram de tirar o título, pois não teria, pela legislação eleitoral, a obrigatoriedade de se alistar; outros disseram que o desinteresse foi resultado de sucessões de vários escândalos relacionados a políticos, como por exemplo, o mensalão, sanguessugas, etc.; e por último, confesso que me chamou maior atenção, foi de um jovem que deixou de tirar o título porque lhe faltou informação necessária para tal fim, uma vez que dizia não saber o que faz um vereador e além de desconhecer a localização da zona eleitoral mais próxima da sua residência. Complementa ele dizendo se tratar de um esconderijo. (grifo nosso)
Em 2003, fui convidado a participar de uma Comissão Executiva Estadual para implementação e execução do Programa “ELEITOR DO FUTURO”, constituída através do Ato Presidencial Nº 975/03 do E. Tribunal Regional Eleitoral do RJ.
Tal Comissão visava ao atendimento, através de um programa metodológico, de uma exigência social, no sentido de trazer uma efetiva contribuição, não somente para a formação cultural e cívica dos jovens na faixa etária de 16 e 17 anos, mas igualmente para que se transmitisse às novas gerações a visão de que a política é, por natureza, uma atividade nobre e essencial à democracia e às relações sociais.
Tive a honra de elaborar o projeto da citada Comissão no âmbito do Estado do RJ que teve, inicialmente, como meta atingir todo o ensino da rede pública e privada na Capital e interior. Incentivando não só àqueles jovens de 16 e 17 anos a participarem do processo democrático, bem como fortalecendo a cidadania de crianças e adolescentes com idades de 10 a 15 anos.
Um dos objetivos, foi a capacitação do corpo docente, através de treinamento ministrado por um Grupo de Especialistas, como os membros do TRE, Ministério Público Eleitoral, serventuários eleitorais, órgãos parceiros que atuavam na área da infância e juventude, advogados da área eleitoral, etc., abordando aspectos de cidadania e dos direitos e garantias fundamentais do indivíduo na sociedade. Realizações de palestras e seminários; visitações de alunos às Casas Legislativas, à sede do Tribunal Regional Eleitoral e suas Zonas Eleitorais; promovendo concursos de redação, campanhas, etc.
Era um sonho palpável mas que, lamentavelmente, com a minha saída não se deu o devido prosseguimento.
Se imaginarmos que a família de cada cidadão é composta, em média, de 04 pessoas (pai, mãe, e dois filhos) a participação de um “filho-estudante” nesse projeto acarretaria um efeito multiplicador, onde mais pessoas seriam conscientizadas sobre a ética na política e no exercício do voto, afora as pessoas correlatas de cada família que tomariam conhecimento do que foi difundido através do programa.
Com certeza, se esse projeto não fosse interrompido, hoje já teríamos recolhidos dele alguns bons frutos, ou seja, jovens cidadãos mais capacitados e cientes dos seus deveres e obrigações, e não precisaríamos nos preocupar com o futuro desses mesmos jovens e nem pôr em dúvida a vontade de se reverter esse quadro pelos mais velhos.

criado por André Menna Barreto    20:44 — Arquivado em: Sem categoria
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