11/9/08
O ensino educacional pede socorro

Às vezes me pego pensando sobre como está o processo de formação escolar e de que forma ele está sendo aplicado em nosso país.
Apesar do grande empenho do nosso ministro da educação, Fernando Haddad, estou certo de que o assunto requer um exame mais acurado e, sobretudo, uma permanente atenção dos seus gestores.
Mesmo tendo o conhecimento do incessante esforço do governo federal, através de programas, entre os quais o Bolsa Família, que vem investir e garantir uma melhor preparação na educação básica, ainda assim, percebemos que se torna imprescindível fazermos mais do que isso, uma vez que a realidade, vista através dos resultados de pesquisas feitas por diversos Institutos idôneos sobre tal tema, é de um sistema educacional caótico e sem precedentes.
E ao fazer tal colocação, faz-se necessário pôr de lado quaisquer interesses político- partidários, sejam eles no âmbito federal, estadual ou municipal, que possam vir a interferir na nossa reflexão em relação ao verdadeiro cerne da questão. Do contrário, poderíamos considerar no mínimo leviana a atitude dos Estados pelo pedido de veto ao presidente Lula à uma Lei que trata do novo piso salarial nacional dos professores do ensino básico, uma vez que os governadores e prefeitos alegam não ter previsão orçamentária para aumentar os salários daqueles docentes. Cabe salientar que tal piso de R$ 950,00 mensais, além de sair do repasse de verbas da União para os Estados e Municípios, seria pago gradativamente a partir de janeiro de 2009, fixando o valor completo somente em 2010, e valeria para professores da educação básica, o que abrange creches, pré-escolas e estabelecimentos de ensino fundamental e ensino médio.
Mas o problema é muito mais complexo do que possa transparecer. Afora a questão salarial, verificamos que o ingresso à escola das redes públicas de ensino não traduz mais a garantia ao aluno de ter seu futuro preservado, ou seja, dados divulgados pelo Instituto Ayrton Senna, atuante com um dos seus programas de alfabetização, em 527 municípios, retratam que o analfabetismo é mais agudo entre os alunos que estão fora da série prevista para a sua idade.
Portanto, isso significa que quando as escolas públicas começaram a se preocupar com a quantidade, abrindo as portas para todos os níveis de crianças, cometeram não só um desatino, com reflexos em todo o sistema de ensino público, como também um sério comprometimento ao desenvolvimento do país. A propósito, cumpre citar, no caso concreto, o americano Edmund Phelps, prêmio Nobel de Economia de 2006 e professor da Universidade de Colúmbia que, em uma de suas visitas ao Brasil, afirmou: “ para que uma economia se desenvolva, é preciso um forte investimento em educação básica, com o intuito de prover o mercado de trabalho com mão-de-obra qualificada“.
Segundo depoimento de uma das professoras do Instituto Estadual de Educação Clélia Nancy, em São Gonçalo, “as escolas não exigem sequer que o aluno escreva, que produza um texto. Eles chegam ao ensino médio sem noção de como construir um raciocínio escrito”.
Mas, não é só.
O mais alarmante é o que se afere de uma pesquisa encomendada pela Fundação Escola do Serviço Público (FESP) quando divulgou que, pasmem, mais da metade dos docentes foi reprovada em concurso. Com base no que foi realizado em 2005 para as disciplinas de matemática e português em cinco regiões do estado RJ, 52% dos docentes foram reprovados, tendo média abaixo de 5, numa escala de 0 a 10, nos testes. Dos 13.904 inscritos, nenhum conseguiu nota máxima e apenas 14 (0,1%) tiraram mais de 9.
Desta forma, e ciente de tudo isso, sabemos que é preciso reverter esse quadro o mais rapidamente possível, lembrando que tal mudança requer, além de vontade política dos nossos administradores, uma maior responsabilidade por parte daqueles que venham a escolher os seus mandatários.
criado por André Menna Barreto
23:17 — Arquivado em: 

André, acho que você tem razão, o problema é sempre mais complexo do que podemos imaginar. Educação deveria ser prioridade em qualquer governo. Além de colocar as crianças na escola, deveríamos mantê-las lá. Aqui nos Estados Unidos também existem sérios problemas no sistema educacional e nem sempre os professores têm boa formação. bj. paula
Comentário por Paula Menna Barreto Hall — 12 12UTC setembro 12UTC 2008 @ 14:02
Sr.André,
Ao ler seu artigo,faço duas considerações:a leitura e escrita precisam ser priorizadas pelos professores em relação aos seus alunos e a formação destes profissionais,tanto nas universidades,quanto nas chamadas escolas normais precisa ser revista,assim como o investimento na capacitação continuada deve ser proporcionado pelos gestores,como fazemos na Prefeitura.
Entretanto,a universalização do ensino fundamental,iniciada na década de 90,é uma conquista fundamental para nossa sociedade e a escola pública precisa cada vez mais ter o compromisso ético e político com a aprendizagem de seus alunos,evitando a evasão e a defasagem série-idade.É um grande desafio trabalhar com a diversidade que temos mas,ao contrário do senhor,não considero um “desatino” a abertura das portas das escolas públicas para “todos os níveis de crianças”:é nosso dever constitucional,inclusive para os portadores de deficiência.
Atenciosamente,
Sonia
Comentário por Sonia Mograbi (Secretária Municipal de Educação) — 14 14UTC setembro 14UTC 2008 @ 15:34
Parabéns mais uma vez pelo blog.
CC
Comentário por Carlo Caiado ( Vereador ) — 21 21UTC setembro 21UTC 2008 @ 20:09
Prezado André,
Excelente o seu blog. Parabéns. Veja a convergência de nossas ideas no meu site
Forte abraço,
Aspásia Camargo
Comentário por Aspásia Camargo ( Vereadora ) — 21 21UTC setembro 21UTC 2008 @ 20:22
Dr. André,
Queira ou não queira, tenho que bater na mesma tecla, reconhecendo que o sistema educacional caótico e sem precedentes, é proveniente da irresponsabilidade desse rolo compressor, criado por essa politicagem aprimorada e desinteressada no futuro dos nossos jovens e do nosso País, pois quanto menos instruídos, melhor para serem manipulados. Mas, não para aí, o desinteresse que os jovens têm pela CULTURA E EDUCAÇÃO, prendesse exclusivamente a falta de CARÁTER de seus pais na sua formação dentro do LAR, deixando-os presos nas malhas das informações inadequadas, recebidas pela MÍDIA, bem como nos bancos escolares. Não é o aumento de salários que farão dos professores exemplos de conduta ilibada, para fazer dos nosso jovens, homens íntegros, para conduzir no futuro do nosso País. Abrem-se as portas, para todos os níveis de crianças, mas não para o interesse real na formação dessas crianças. Exemplo sórdido: “CESAR MAIA”. Claro, vivemos no mundo materialista, e por isso, não sabemos sentir na nossa profissão o quanto é importante o AMOR, para exercê-la. Sim, os jovens sequer, sabem construir um raciocínio escrito, mas sabem ouvir muito bem os textos verbalizados, incoerentes e contrários ao jeito puro que tinham em mente, cofuzos, não sabem mais em que acreditar. Hoje infelizmente, não há políticos-partidarios, pois são todos farinha do mesmo saco.
Abraços
Carlos Peres
Comentário por Carlos Peres — 19 19UTC agosto 19UTC 2009 @ 1:37
André, em seu artigo a “O ensino educacional pede socorro” você
correlaciona os investimentos (e não despesas) em educação (inclusive
baixos salários) com a capacitação do magistério e a qualificação do
alunado, concordo em número, genero e grau. Daí a crítica que fiz a
proposta (PL) do Governo Cabral em relação a incorporação da gratificação
“Nova Escola, que sancionada ontem, virou Lei.
Comentário por Luiz Paulo (Deputado Estadual) — 6 06UTC outubro 06UTC 2009 @ 3:04