5/11/08
Cobrança precipitada
A eleição do 2º turno realizada em 26 de outubro de 2008, sem dúvida alguma, vai ficar na memória da população do Rio de Janeiro como a mais acirrada da história na disputa para a prefeitura da nossa cidade, uma vez que a vitória de Eduardo Paes (PMDB) sobre Fernando Gabeira (PV), por apenas 1,6 %, ou seja, o equivalente a 55.225 votos, foi de longe a mais apertada desde 1985, ano da primeira eleição direta para prefeito do Rio. Tal resultado demonstrou não somente um grande equilíbrio de forças no quadro regional partidário, bem como em relação aos nomes de peso apresentados por ambos os lados.
Entretanto, devo confessar que fiquei um pouco estarrecido ao tomar conhecimento de uma matéria publicada num jornal de destaque nacional, no dia 28 de outubro do corrente ano, que criticava o descumprimento de 03 promessas das 83 feitas em campanha pelo futuro prefeito Eduardo Paes.
A primeira, faz referência à nomeação do seu secretariado, que se iniciaria pela Saúde, e no entanto a indicação ocorrera na Secretaria da Casa Civil, a ser assumida pelo Deputado Estadual Pedro Paulo Carvalho, do PSDB.
No tocante à segunda questão, comprometera-se a não fazer nomeações políticas, quando já se tornou público de que houve reunião de seu vice, Carlos Alberto Muniz, que é dirigente do PMDB, com representantes do PT e de outros partidos, onde teria sido combinada a partilha de cargos.
E por último, diz respeito às instalações das primeiras Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs) que beneficiariam em primeiro plano os bairros do Méier e Madureira, na Zona Norte, mas que agora teria tido seu cronograma alterado para a Zona Oeste, com a justificativa de que seria o local mais adequado na cidade do Rio, onde a saúde está mais frágil.
É evidente que o povo tem o dever de fiscalizar e cobrar, quando necessário, todos os compromissos assumidos pelos candidatos em campanhas eleitorais. Todavia, devemos salientar, no caso concreto, que o futuro prefeito somente se empossará no cargo para o qual foi eleito a partir de fevereiro de 2009.
Portanto, o que se pode aferir de todo o ocorrido, é que tais críticas feitas e publicadas por determinado meio de comunicação são completamente irresponsáveis e desprovidas de qualquer fundamento, uma vez que se trata de cobranças feitas, e como já disse anteriormente, a um prefeito eleito que sequer, ainda, assumiu a sua cadeira dentro da prefeitura do RJ.
Atitude lamentável, que somente teve como conseqüência insuflar uma parte da população, produzindo a formação de movimentos de protestos de cabos eleitorais e simpatizantes do candidato derrotado contra a vitória do peemedebista. E como se não bastasse, acrescente-se a tudo isso, a afirmação do inconformado deputado Fernando Gabeira de que houve uso da máquina do estado de modo muito grave, com a suspeita de caixa dois na campanha de Eduardo Paes. Ademais, verifica-se que nem o próprio deputado tem convicção daquilo que diz, pois alega: “ eu não sei se eles fizeram. Isso vai ficar evidente pela prestação de contas” (…) “ vou esperar o TRE-RJ avaliar (…)”.
E aqui cabe manifestar já o entendimento do presidente do TRE-RJ, Desembargador Alberto Motta Moraes, sobre tal episódio: “ Para mim, é manifestação de perdedor. Aliás, normalmente, só derrotado busca desculpa. Se houve uso da máquina, o juiz responsável vai atuar e, se isso for comprovado, o candidato será julgado e pode ser multado ou ter a diplomação impugnada”.
Ao contrário do que alegam os adversários, no meu entendimento, o futuro prefeito Eduardo Paes, está agindo com muita propriedade e personalidade, uma vez que, mesmo antes de sua posse, já visitou a Câmara de Vereadores, onde estavam presentes os atuais e futuros edis, para o fim de propor aos membros daquela Câmara, a suspensão de todas as propostas que tenham impacto nas finanças do Município até que sua equipe de transição as analise, uma vez que o orçamento para 2009 já se encontra em tramitação naquela Casa Legislativa.
Destarte, estou certo de que o nosso novo prefeito Eduardo Paes, como já salientou várias vezes em entrevistas, assim que assumir o seu cargo oficialmente, cumprirá todas as promessas feitas em campanha, resolvendo os principais problemas que a cidade vem enfrentando desde há muito tempo. A hora é de união visando à melhoria de vida da nossa população e a de sermos, sobretudo, imparciais, não se deixando influenciar por quaisquer insinuações maldosas, sejam elas quais forem.
criado por André Menna Barreto
16:55 — Arquivado em: 

André, concordo com você que a cobrança é precipitada, mas entendo que é uma forma política, e até certo ponto válida, de esvaziar qualquer tentativa, até mesmo de seus assessores, para o não cumprimento de parte das promessas do Eduardo Paes, pelo menos as principais. Digo isso porque não há político que cumpra tudo o que promete, salvo aqueles que não se comprometem com nada. Esses, posso dizer, temos poucos ou quase nenhum. O problema é que o Gabeira acabou vendendo essa imagem positiva.
O Paes teve que costurar muito acordo pra conseguir apoio da banda podre dos políticos cariocas. Teve que fazer muita promessa, caso contrário estaria fora da disputa. Esses caras têm um poder enorme, aplicam a política da bica d`água na maior cara de pau e compram voto mesmo, na cara dura, nos seus currais eleitorais.
O problema é que é muito difícil de comprovar, pois nas comunidades existe a lei do silêncio. Ninguém sabe de nada, ninguém fala nada! Eu achava que isso não existia, que era balela, mas é a pura realidade. Trabalhei um tempo com peão e pode ter certeza: o cara por mais honesto que seja, vai preso, perde grana, mas ele não entrega quem está agindo errado. Eles preferem assim, pois fama de dedo-duro nas comunidades é morte na certa, mais cedo ou mais tarde.
Um sujeito que não tem nenhuma instrução, vive numa miséria de dar pena e acorda só pensando como é que ele vai comer hoje, não tem a menor capacidade de discernimento para saber se o político A ou o político B vai ser melhor pra sua comunidade. Ou ele segue o que o manda-chuva da comunidade indica ou simplesmente vota em quem vai pagar a passagem e a comida pra ele votar. Você faria diferente?
Continua…
Comentário por Cylan — 5 05UTC novembro 05UTC 2008 @ 18:09
É claro que nenhum carioca de bom senso, mesmo tendo votado no Gabeira, não vai querer que o trabalho do Eduardo Paes seja ruim, mas pode ter certeza as cobranças serão imensas e implacáveis porque ele venceu por muito pouca margem um candidato que é um exemplo para os políticos de todo país.
No fundo, eu acho que foi o melhor resultado possível, pois o Gabeira se tornou potencialmente um bom candidato para governador e cresceu muito no Rio de Janeiro. Todavia, apesar de eu ter votado nele, ainda tinha dúvidas se ele realmente iria conseguir fazer alguma coisa, precisando da ajuda dos vereadores que o Rio vem elegendo. A grande maioria responde a processos criminais, malversação do dinheiro público e por aí vai…. Não tenho idéia como o Gabeira iria conseguir dobrar essa gente na Câmara de Vereadores. Estava realmente temeroso de que ele se tornasse o próximo Saturnino, que sem conseguir governar a cidade, acabou tendo que pedir a falência do Rio.
Enfim temos que esperar um pouco mais para poder falar mal, mas pode ter certeza de que a imprensa será implacável e de uma certa maneira acho que vai ser benéfico para a cidade. O Paes não é tão ruim assim e muito menos um grande bobalhão a ponto de ficar o tempo inteiro sob as ordens do Lula e do Cabral. Acredito que se ele perceber que a coisa não está funcionando, ele é capaz de romper unilateralmente com ambos, se necessário for. Ele ainda é muito novo e ainda pode se dar ao luxo de fazer algumas bobagens, pois terá tempo de se recuperar. O povo esquece rápido!
Aguardemos os próximos capítulos…
Comentário por Cylan — 5 05UTC novembro 05UTC 2008 @ 18:11
GABEIRA NELES !! ESSA ELEIÇÃO FOI UMA DAS MAIS ROUBADAS QUE JA EXISTIRAM. AONDE EXISTE ISTO DE O GOVERNADOR ANTECIPAR UM FERIADO PARA UM DIA DEPOIS DA ELEIÇÃO? SÓ REALMENTE AQUI NESSE PAÍS DE M… E OUTRA COISA É BOM QUE VOCÊS VIBREM BASTANTE AGORA PORQUE A PARTIR DE FEVEREIRO, COMO VOCÊ MESMO DISSO ANDRÉ, É QUE IRÁ ENTRAR REALMENTE MUDAR O COMANDO DO RIO. TOMARA QUE PARA MELHOR, MAS ACHO MUITO DIFICIL. E É O RIO DE GABEIRA, GABEIRA !!
Comentário por Bernardo — 6 06UTC novembro 06UTC 2008 @ 6:51
Aqui de longe fica difícil opinar, mas pelo o que li nos sites a eleição no Rio foi complicada e houve uma série de problemas mal explicados. Para mim, tanto Eduardo Paes, quanto Fernando Gabeira gosta mesmo é de holofote.
Comentário por Paula Menna Barreto Hall — 6 06UTC novembro 06UTC 2008 @ 13:26
Conselho de amigo: Cuidado com as suas opiniões !!!! Fica claro a sua solidariedade (senão, filiação) ao PMDB e não à realidade dos fatos. Em primeiro lugar, se você acusa alguém, deve dizer claramente quem é, ou seja, diga que foi o jornal O Globo que publicou o que você considera calunioso ou improcedente. Segundo, o próprio Globo iria publicar a mesma página de promessas para o Gabeira que, diga-se de passagem, era maior que a do Paes. O Globo pode ser rigoroso, mas não tendencioso, como, por exemplo, na cobrança do primeiro secretário ser o da Saúde (foi o segundo). Mas o que dizer então da foto do Gabeira de sunga estampada na primeira página ? Do furo dado pela indiscrição ao transcrever um telefonema particular em que Gabeira acusava a vereadora eleita Lucinha de analfabeta política e de ter uma visão suburbana ?
Cobrar antes de assumir não é nada demais. Afinal de contas, é o prefeito eleito e, embora ainda não tenha assumido, a transição já começou. A cobrança tem a ver com a transparência do caráter do candidato eleito. Lembre-se que esta foi uma questão crucial nesta eleição.
Por último, a sua crítica à passeata ocorrida na última 6a. feira é totalmente infundada. A primeira coisa que se faz, quando não se conhece de perto os fatos, é desqualificar o movimento. Pergunte às suas sobrinhas, que participaram do movimento, o que realmente aconteceu.
André, não entenda estas críticas como uma defesa do candidato Gabeira. Fato passado, o prefeito eleito é o Eduardo Paes e é dele que se espera o melhor para o Rio. Mas uma coisa eu vou sempre defender: ÉTICA E TRANSPARÊNCIA NA POLÍTICA, seja quem for. Espero que você também encampe esta campanha, mesmo junto ao PMDB. Assim estaremos mudando de fato o jeito de se fazer política neste país e, quem sabe, algum dia, ainda teremos orgulho dos nossos políticos, como foi a festa democrática americana na eleição do presidente Obama e sua repercussão no mundo.
Comentário por Cyd — 6 06UTC novembro 06UTC 2008 @ 15:01
VÁRIAS PESSOAS ENVIARAM E-MAIL PEDINDO A REPRODUÇÃO DA NOTA ABAIXO!
Trata das complexas relações entre Governo Federal, depois Estado e Distrito Federal, Estado da Guanabara e depois Município do Rio de Janeiro. Durante duzentos anos, a integração era total, pois quem governava o Rio era designado pela Coroa e depois pelos Presidentes da República. Nos dez anos de Estado da Guanabara o Rio ganhou real autonomia. Um período de grandes decisões e realizações, apesar das difíceis relações com os Presidentes da República. Com a fusão, o prefeito passa a ser nomeado. E assim foi entre 1975 e 1985. Como os governadores eram de fato nomeados desde 1970 até 1982, a harmonia era total. (…)
Depois da fusão, o novo Estado do RJ por incapacidade de seus governantes foi perdendo vigor financeiro e desintegrando a máquina pública. Resistiram enquanto poderiam invadir as finanças da Capital. Mas quando a Cidade do Rio ganhou sua carta de alforria, esse truque terminou e o Governo do Estado foi entrando numa crise crescente e deprimente.
O eleitor carioca sabiamente nunca mais permitiu que o prefeito da Capital fosse um sabujo do governador depois da falência do governo Saturnino. Votou sempre contra os candidatos dos governadores daí para frente, a partir do conflito com o prefeito Alencar. Os servidores municipais sabem os riscos que correm. Seu líquido fundo de pensão não pode ser assaltado. Os fornecedores sabem a diferença que existe entre os procedimentos do Estado e da Prefeitura. E por que não dizer: os tribunais também o sabem. Teremos agora outra experiência de prefeito -de fato- nomeado/eleito pelo governador. Aguardemos.
Garantir a independência da Capital em relação à desintegrada máquina estadual, a agressividade e invasão dos governadores, é a questão número um, básica e fundamental, de todas as eleições para prefeito. O Rio quer manter sua autonomia contra a voracidade que já desintegrou suas finanças e sua estrutura administrativa.
Comentário por Cesar Maia — 7 07UTC novembro 07UTC 2008 @ 18:30