1/12/08
A vitória da esperança

Não há dúvida de que o resultado final das eleições realizadas no último dia 04 de novembro nos E.U.A., ao eleger seu primeiro presidente negro, o democrata Barack Obama, filho de mãe branca do Kansas, pai negro do Quênia, nascido no Havaí e criado na Indonésia, vem confirmar o início de uma profunda transformação no seio de uma sociedade considerada até então repleta de preconceitos, principalmente no que se refere ao racismo.
Ainda que sabendo dos inúmeros votos recebidos pelos mais jovens, e, sobretudo por uma parcela da população mais diversificada em termos étnicos e raciais que o ajudou a trilhar seu caminho com destino à Casa Branca, não podemos deixar de considerar que o eleitorado americano é na sua maioria absoluta formada por brancos, representando 74% do total. Obama obteve 43% desse mesmo eleitorado, isso significa dizer que conseguiu o maior percentual já registrado por um democrata desde Lyndon B. Johnson, que teve 61,1% dos votos em 1964.
Contudo, falar de um país pós-racial me parece ainda prematuro, o que podemos tão somente constatar no atual momento, é a significativa alteração no mapa político do país, dividido entre o azul dos democratas e o vermelho dos republicanos.
Ao todo, mais de 130 milhões de americanos foram às urnas, número mais alto já registrado em uma eleição geral nos Estados Unidos. Segundo informações da NBC, CBS e Fox News, o presidente eleito arrecadou 63,25 milhões de votos a nível nacional, enquanto que o seu oponente, 55,9 milhões. O Arquivo Nacional americano corrobora os dados mencionados, acrescentando que foi a maior cifra já alcançada por um candidato à presidência no país.
É incontestável o grande avanço que a América teve com a demonstração desse último pleito eleitoral, propagando para o mundo um inegável exemplo de democracia.
No entanto, cabe salientar que naquele mesmo dia os eleitores americanos foram às urnas, não apenas para a escolha do seu presidente, mas também para votar 153 referendos, denominados por eles como proposições, acontecidos em 36 Estados, onde foram abordados entre os temas mais polêmicos, o casamento de pessoas do mesmo sexo, aborto, imigração e a descriminalização do uso da maconha.
Muitos analistas dizem que essa prática de se fazer proposições com os temas mais diversos e controvertidos no mesmo ano de eleições presidenciais, teriam como fundamento o de estimular o eleitor ao comparecimento às seções eleitorais, uma vez que lá não existe a obrigatoriedade do voto pelo cidadão.
De todo modo, ao verificar os resultados de algumas dessas proposições, constatamos tratar-se de uma sociedade absolutamente controversa. Com todos os seus preconceitos e diversidades, ainda, transparentes.
É evidente, e as pesquisas demonstram isso, que tal eleição foi pautada na enorme insatisfação da maioria americana com todos os acontecimentos ocorridos na administração do governo George Bush, seja pela guerra no Iraque e, sobretudo, pela sua profunda crise econômica interna com reflexos em todo o planeta.
Assim, desejo ao novo presidente dos E.U.A., Barack Obama, toda a sorte que com certeza virá a precisar, bem como muita humildade para cumprir a tão esperada mudança que a sociedade almeja e que foi o principal mote da sua campanha, "The change we need". Pois como bem lembrou o jornalista Caio Blinder: "o que é bom para os E.U.A., pode ser bom para o mundo".
criado por André Menna Barreto
18:32 — Arquivado em: 

ANDRÉ;
Apenas um comentário.
A eleição sofreu uma forte mudança quando o Lehman Brothers quebrou e a crise ficou transparente. A partir daà o empate acabou e Obama abriu.
CM
Comentário por Cesar Maia — 1 01UTC dezembro 01UTC 2008 @ 22:06
Muito oportuno o comentário. Concordo plenamente.
Comentário por Carlos Eduardo — 2 02UTC dezembro 02UTC 2008 @ 8:36
Creio ter sido a vitória, do primeiro presidente negro nos USA, demonstração que a verdadeira discriminação está na pobreza e não na raça. Que sirva de exemplo e possibilite oportunidades iguais para as vitórias incontestáveis da inovação e competência, independente da classe social. É não a socialização dos prejuÃzos oriunda da má gestão pela ganância tributária e pela usura financeira, em nome do clientelismo. Competitividade e produtividade são as receitas do sucesso, desde que todos tenham as mesmas oportunidades.
Comentário por Gilberto Ferri — 3 03UTC dezembro 03UTC 2008 @ 10:18